Flávio Cavalcante

O espectador merece todo nosso respeito, porque sem ele, não há quem possa nos aplaudir

Textos

LOUCO POR TELEDRAMATURGIA
Crônica de:

Flávio Cavalcante


 
 
     Dizem que eu sou nostálgico e eu aposto nessa afirmação. Mas também quem teve a oportunidade de viver uma época de diamante com eu vivi, seria eu um lunático se não carregasse em meu peito uma bela nostalgia e uma louca paixão pela teledramaturgia.
 
     Sou da época de poucos recursos tecnológicos. Até os brinquedos as crianças tinham que construir se quisessem se divertir.
 
     A televisão já existia, Mas não com a qualidade de imagem que vemos hoje em dia. Naquela época ninguém podia imaginar cor na televisão ou mesmo uma imagem sem fantasmas e chuviscos. Até porque toda imagem fantasmagórica que dispunham era de uma televisão à válvula. E este artefato era um artigo de luxo. E aquele que tivesse condições de possuir em sua sala um aparelho de televisão era considerado o Coronel da cidade. Ouvia-se muito novelas de rádio. A dona de casa parava os afazeres do lar para suspirar com a voz do protagonista que mesmo não vendo se encantava com momentos de paixão pela figura virtual do rádio.
 
     Lembro-me perfeitamente de umas telas coloridas em várias cores fixas na tela e uma haste metálica que abraçava a televisão e dava a impressão de que estávamos vendo a TV colorida. Aquele artifício também causava curiosidade e achava tudo muito perfeito e moderno.
 
     Essas passagens saudosas na minha vida fazem sentido da minha paixão pela teledramaturgia e a minha aptidão pela escrita; assim eu não tenho a menor dúvidas que foi reflexo do que vivi.
 
     As novelas eram transmitidas com poucos recursos. Nós tínhamos a extinta rede Tupy que era um marco de audiência com as novelas papai coração, A viagem; xeque-mate, mulheres de areia, Rosas dos ventos e outros folhetins que abrilhantaram e que hoje foi transformada numa deliciosa saudade. É bem verdade que na época eu era muito criança e algumas coisas são vagamente lembradas por mim.
 
     Lembro de cenas da Dinah na novela A VIAGEM, a personagem de Eva Wilma com um esparadrapo na testa e visitando sua filhinha em espírito logo depois do seu desencarne. Lembro-me perfeitamente da abertura da novela mulheres de areia onde a mesma atriz Eva Wilma, interpretava as gêmeas Ruth e Raquel. Na abertura pela rede Tupy aparecia uma espécie de um monte de areia. Na tela mostrava o registro da censura. Uma voz em off alertava. "Atenção senhores país. Terminou o horário para menores de 10 anos". Quando a censura era livre era também avisado. Naturalmente as novelas eram de censuras para menores de treze a quatorze anos. E olha que o conteúdo das tramas não chegava aos pés desses folhetins de hoje com assuntos tão polêmicos e de teor pornográfico.

     Hoje posso dizer que eu sou um louco apaixonado por teledramaturgia. Por isso dessa minha exigência com a televisão atual. O consumismo parece levar os autores a partirem para uma apelação sem fim em busca de uma audiência maciça, mas esquecem porém, que existe uma regra de respeito pelo telespectador o que parece não darem muita importância e a censura que na época era levada à sério, hoje em dia, parece estar apagada ou levada ao Vasco do esquecimento. 
 
Flávio Cavalcante
Flavio Cavalcante
Enviado por Flavio Cavalcante em 19/04/2016
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