Flávio Cavalcante

O espectador merece todo nosso respeito, porque sem ele, não há quem possa nos aplaudir

Textos

UM TRIO PERFEITO PARA UMA BOA RECORDAÇÃO
Artigo de:
Flavio Cavalcante


 
 
     O canal viva tem apresentado em sua grade grandes obras que realmente fico encantado com a reprise; pois, fizeram parte intensamente da minha vida; numa época de ouro em que a felicidade de estar na sala assistindo cada capítulo com a família era indescritível e hoje esses momentos se reportam apenas em saudosas lembranças, agora acordadas como um presente do canal viva. O trio dos folhetins “A gata comeu, Pai Herói e a Torre de babel”; três pérolas da nossa teledramaturgia cada uma com seu momento especial.
 
     De fato em outrora tivemos grandes pérolas da teledramaturgia tanto nas obras quanto nos autores. Janete Clair, Ivani Ribeiro, Dias Gomes entre outros que no hoje toda área da teledramaturgia os respeitam e tratam as suas obras como “Obras clássicas” que marcaram toda uma época. É bem verdade que em tempos atrás pelo fato da concorrência ser quase zero, ficava mais fácil fazer acontecer uma obra na televisão. Fico imaginando no hoje se estas obras do coração dos saudosistas não entrariam no grupo desses folhetins chatos que vão ao ar e o telespectador empina o nariz a cada cena. Que bom que eu tive a oportunidade de acompanhar essa minúscula concorrência; pelo menos hoje em dia, posso dizer que faço parte da geração de saudosos e também respeitando e jogando tapetes vermelhos para os autores do passado degustando ainda as obras que para mim são clássicas e imortais.
 
     Pai Herói é uma das obras de Janete Clair que marcou toda uma geração. Umas das três que vai ser reprisada pelo canal viva. Esta obra explodiu num momento muito importante na teledramaturgia e foi dirigida por Gonzaga Blota, Valter Avancini e Roberto Talma no ano de 1979. Quem da época não lembra do vilão, o empresário mafioso Bruno Baldaracci vivido pelo saudoso Paulo Autran? A história era uma trama simples e se resumia na luta de um homem que buscava a verdade sobre seu pai.
 
     Na escala, outra novela que será apresentada e nos presentear no canal viva é a Torre de Babel de autoria de Sílvio de Abreu, dirigida por Denise Saraceni e José Luiz Villamarim. A novela teve uma boa repercussão na audiência no horário nobre, como também recebeu algumas críticas que para a época a opinião do telespectador ficava em apenas bochicho devido ao monopólio. Ele não tinha opção. Se não tivesse gostando tinha que aprender a gostar, coisa bem diferente nos tempo atuais.
 
     A trama se resumia em um assassinato nos anos de 1979. José Clementino era interpretado por Tony Ramos e na trama ele era um ex-perito que trabalhava como pedreiro em uma construtora pertencente ao engenheiro César Toledo (Tarciso Meira). Por ciúmes da esposa que vivia se envolvendo com alguns pedreiros, Clementino acabou assassinando a mulher e um homem à golpes de pá. Bem típico de Sílvio de Abreu, ter em seus folhetins tramas com assassinatos, se repetindo em outros folhetins futuros. O telespectador já sabia que a trama ia ter este enredo e a crítica negativa era certa.
 
     A gata Comeu também outra pérola escrita por Ivani Ribeiro e teve a colaboração de Marilu Saldanha. Essa eu posso jurar que não vou perder um só capítulo. A guerrinha de Jô Penteado com a brilhante atuação de Cristiane Torlone, numa química perfeita com o professor Fábio Coutinho interpretado por Nuno Leal Maia. Na trama Jô penteado sempre acaba o noivado com seus ex-namorados e todos esperam que aconteça o casamento e a autora com a sua genialidade amarrou a trama exatamente quando a Jô encontra o professor viúvo, em uma situação de muita ira e no desenrolar da trama acontece o que o telespectador esperava e adora. A paixão descontrolada, onde o ódio se transforma num louco amor. A atuação do casal deixou marcas em cada um telespectador que viveu aquela época de ouro.
 
     No meu ponto de vista, cada um destes folhetins teve o brilho próprio; claro que, os problemas nos bastidores aconteceram como acontece naturalmente em qualquer obra; mas, aquele momento da teledramaturgia era um momento especial e o prazer de não perder um só capítulo estava no sangue do telespectador, que começava o dia no trabalho na ansiedade de chegar em casa para não perder um só detalhe da novela.
 
TEMPOS DE OURO QUE NÃO VOLTAM NUNCA MAIS!!!
Flavio Cavalcante
Enviado por Flavio Cavalcante em 17/07/2016
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