Flávio Cavalcante

O espectador merece todo nosso respeito, porque sem ele, não há quem possa nos aplaudir

Textos

REMAKE DOS TRAPALHÕES
Artigo de:
Flávio Cavalcante
 
 
 
     A televisão anda com uma certa demência nos tempos atuais. Quantas vezes temos que gritar que o telespectador da atualidade busca algo novo e parece que as emissoras não conseguem ouvir as lamúrias de uma mudança necessária e com muita urgência.
 
     Já ficou muito bem claro em outros produtos da televisão que remakes não dão certo. O que passou são águas passadas e não vamos desenterrar defuntos para tentar agradar a gregos e a troianos. Para atingir o gosto do telespectador atual numa remontagem é preciso levar a uma apelação desnecessária, deturpando o texto original como fizeram em Saramandaia, Dona Flor e seus Dois Maridos, Guerra dos sexos entre outros folhetins que acompanhamos e sentimos saudades de uma época de ouro.
 
     A falta de respeito com os autores originais das obras foi de uma grandiosidade que não houve como não empinar o nariz, com o ato lamentável; visto, que fomos testemunhas oculares das primeiras montagens e elas deixaram uma bela saudade.
 
     Fui informado por fontes dentro da Rede Globo que a emissora vai trazer para o telespectador mais um remake e dessa vez é o programa “Os trapalhões” e segundo os informantes, já estão fazendo audição com atores parecidos com as personagens que anteriormente brilharam na tela. Quem sou eu para dizer que não gostei dos trapalhões? Cresci vendo as aventuras do Didi, Dedé, Mussum e Zacarias. O besteirol era o marco do programa e devido a esta proposta a diversão que o telespectador buscava era certa. Eram domingos aprazíveis que não dava para perder um só episódio dos quatro patetas da tv. O telespectador encontrava a diversão perfeita para um final de domingo. Eu lembro das belas gargalhadas que eu dava assistindo as travessuras inocentes e de linguajar simplório. As brincadeiras inócuas, tiravam as verdadeiras gargalhadas sem apelação alguma.
 
     O telespectador de hoje está bem mais exigente que antes e apesar de ser um amante à moda antiga de uma televisão de qualidade, acho um tanto perigoso um remake.
 
     Para quem não sabe, “Os Trapalhões” foi um programa humorístico brasileiro, criado por Wilton Franco e estrelado pelo grupo cômigo da época, que comportava o mesmo nome e era composto por Didi Mocó, Dedé Santana, Mussum e Zacarias; cada um desenvolveu uma personagem cênica distinta e muito engraçada. O primeiro episódio se deu em 1969 e teve o seu final em 1994. Os colaboradores foram: Carlos Alberto de Nóbrega, Gilberto Garcia e Paulo Andrade. Os trapalhões fazem parte da memória de muitos saudosistas da teledramaturgia. Lembro-me perfeitamente algumas passagens diante da tela da tv e os meus pais assistiam os trapalhões mesmo com uma imagem ainda muito precária e fantasmagórica. Segundo alguns críticos foi um dos programas que mais durou em exibição dentro de uma emissora com um alto índice de audiência.
 
     No meu ponto de vista apesar de ser também um desses amantes saudosistas, acredito que vai ser mais um tiro no pé que a emissora vai dar. Dou partida na ideia de que deveriam aproveitar muitos gênios da teledramaturgia que estão aí no anonimato com concepções diferenciadas e dar oportunidade a estes autores que buscam mostrar o seu talento e não encontram porta aberta devido a uma panela fechada de autores que querem morrer sem largar o osso para os novos talentos que estão chegando. Lamentavelmente a emissora é que sai perdendo, visto que a opção do telespectador de enveredar em busca de outros produtos, hoje em dia é muito farta.
 
 

 
Flavio Cavalcante
Enviado por Flavio Cavalcante em 22/10/2016
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