Flávio Cavalcante

O espectador merece todo nosso respeito, porque sem ele, não há quem possa nos aplaudir

Textos

MEU CASTIGO
Poema de:
Flávio Cavalcante
 
 
I
Passo o dia retraído no meu aposento
Engolindo o choro para não te perder
A noite anterior simboliza o tormento
O maior castigo que alguém possa ter
II
Eu não ouço mais aquela sinfonia
O meu café parece estar muito amargo
Coração acelerado em disritmia
Até meu sorriso saiu com embargo
III
Minha língua resolveu ficar ressecada
Mesmo com a chuva torrente molhando
A tristeza ao cume de uma sacada
Igualmente a coruja só observando
IV
Minhas mãos enrijecidas nem mexem mais
O ar que respiro não banha o coração
Minha voz trêmula e rouca quase não sai
Reflexo de toda uma vida de solidão
V
Vivo o dia como se o hoje já tivesse acabado
Buscando harmonia de algo que se perdeu
Manhã e tarde em meu leito amarrotado 
Na cela, enclausurado, dentro do meu eu
Flavio Cavalcante
Enviado por Flavio Cavalcante em 13/02/2018
Alterado em 13/02/2018
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