Flávio Cavalcante

O espectador merece todo nosso respeito, porque sem ele, não há quem possa nos aplaudir

Textos

UMA MORTE ESTRANHA
Conto surrealista de:

Flávio Cavalcante


     Às vezes não damos importância a certos sonhos que temos. É fato que a maioria deles traz apenas uma estória criada pelo nosso subconsciente, mas, também pode ocorrer certas ocasiões que podemos estar diante de um premonição.
 
     Comigo mesmo já aconteceu algo parecido e me deparei com um sonho que foi uma verdadeira anunciação de um fato posterior. Um deles foi quando sonhei com a minha mãe deitada num caixão cheio de flores. Ao acordar apavorado com aquela aparente estória tive essa sensação de que era um fato; a sensação era tão realista que não me hesitei em ligar para ela comentando o fato ocorrido e ela retrucou deixando claro que naturalmente quando acontece isto é com outra pessoa; mas disse também, que se for verdade o que tiver de ser será e parece que os anjos disseram amém. Dois meses depois eu estava em seu sepultamento diante de todo o cenário que eu havia sonhado. Nada acontece se ele não quiser. Palavras vindas dela mesmo.
 
     Quem já sonhou sendo protagonista da própria morte?  Parece estranho, mas acabei de ter essa experiência. É bem verdade que acredito ter sido um sonho; embora que, já tive algumas experiências com sonhos e depois veio a revelação de que na verdade eu tive uma premonição.
 
     No caso da minha mãe, um mês após este sonho eu estava no vivendo tudo que eu havia sonhado e a protagonista era ela mesma. O caixão todo enfeitado de flores e o momento saiu do sonho para uma realidade.
 
     No meu sonho macabro onde eu passei a ser o protagonista, eu estava na casa onde morei com meus pais e o meu caixão estava no meio sala envolto à pessoas conhecidas da família. Eu estava em espírito ao lado do meu corpo. Percebi que existia uma penumbra no meio de uma tarde. O tempo estava parecendo noite. Me vi de repente seguindo a rua até a esquina que se encontrava muito movimentada o que na realidade nesta rua não tem tanto movimento assim. Num momento tentei atravessar. E percebi que do outro lado da rua havia muita gente com o mesmo objetivo que o meu, atravessar.
 
     Finalmente o sinal fechou e fui atravessando lentamente juntamente com uma procissão de pessoas e me perdi diante da multidão. No meio da rua, acabei encontrando o meu amigo que praticamente havia falecido nos meus braços.  Ele me olhou e parou espantado.
 
     - Você aqui? (Ele fez um interrogatório para saber o motivo de estar ali).

     Percebi em meio aquele momento insólito que o corpo não obedecia e o meu amigo falou que ali tudo era movido pela mente. Repentinamente olhamos para a longa Estrada e percebemos que vinha em nossa direção uma imensa onda de água. Parecia um tsunami. Ele continuou retrucando que tudo era coisa da mente e pediu que me concentrasse que íamos flutuar igual a uma pena e assim me concentrei com um certo medo. Quando dei por mim parecia estar plainando em cima de uma prancha de surf.
 
     Acordei daquele sonho que eu fiquei sem saber se estava diante de um sonho mesmo ou de um tenso pesadelo. Só sei que indiferente de casos como estes, muitas vezes temos que dar ouvidos aos nossos sonhos; pois, podem ser de alguma forma avisos de algo que está prestes à acontecer.
 
 
 
FIM
 
 



 
Flavio Cavalcante
Enviado por Flavio Cavalcante em 25/07/2018
Copyright © 2018. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.


Comentários

Site do Escritor criado por Recanto das Letras